O racionalismo moderno é uma corrente filosófica que se desenvolveu durante o período da modernidade, principalmente nos séculos XVII e XVIII, e que defende a primazia da razão como fonte de conhecimento, em contraste com outras correntes que valorizam a experiência sensorial (como o empirismo). Os racionalistas acreditam que a razão humana pode, por meio de processos lógicos e dedutivos, alcançar verdades fundamentais sobre o mundo, a existência e a natureza da realidade.
O racionalismo moderno emergiu em um contexto marcado pelas mudanças científicas e intelectuais do início da Idade Moderna, como o Renascimento e a Revolução Científica. Esse período foi caracterizado por uma ruptura com o pensamento medieval, que era amplamente dominado pela teologia e pela filosofia escolástica. A revolução científica, com figuras como Copérnico, Galileu e Kepler, colocou a observação e o método científico no centro do conhecimento, mas muitos filósofos, como os racionalistas, argumentaram que o verdadeiro conhecimento não provém apenas dos sentidos, mas de princípios racionais universais.
O racionalismo moderno tem várias características fundamentais que o distinguem de outras correntes filosóficas:
Os filósofos que mais influenciaram o racionalismo moderno são frequentemente agrupados sob o título de "racionalistas continentais", devido ao fato de que a maioria deles viveu na Europa continental, particularmente na França, Alemanha e Holanda. Entre eles, destacam-se René Descartes, Baruch Spinoza e Gottfried Wilhelm Leibniz.
Considerado o fundador do racionalismo moderno, Descartes acreditava que a razão era o único caminho seguro para o conhecimento verdadeiro. Em sua obra Meditações Metafísicas (1641), ele propôs um método de dúvida radical, no qual questionava todas as suas crenças, exceto aquela que era absolutamente indubitável: sua própria existência como um ser pensante. Daí sua famosa máxima: "Cogito, ergo sum" ("Penso, logo existo").
Para Descartes, o conhecimento verdadeiro não poderia ser obtido por meio dos sentidos, que podem enganar, mas sim pela razão. Ele acreditava na existência de ideias inatas, como a ideia de Deus e as verdades matemáticas, que são acessíveis pela mente sem necessidade de experiência sensorial.
Spinoza desenvolveu um sistema filosófico baseado na ideia de que tudo na realidade segue uma ordem racional e necessária. Sua obra mais importante, Ética (1677), é escrita de forma dedutiva, inspirada pelos Elementos de Euclides, um clássico da geometria. Spinoza propôs uma forma de monismo, em que Deus e a Natureza são uma só substância, ou seja, tudo o que existe é uma única realidade, que se manifesta de maneiras diferentes.
Para Spinoza, a razão é o único caminho para a verdadeira liberdade e felicidade, porque apenas por meio dela podemos compreender nossa relação com o mundo e viver de acordo com a ordem racional da Natureza. Ele rejeitava a ideia de um Deus pessoal e transcendental, promovendo em vez disso uma visão panteísta, em que Deus está presente em todas as coisas.