O racionalismo moderno é uma corrente filosófica que se desenvolveu durante o período da modernidade, principalmente nos séculos XVII e XVIII, e que defende a primazia da razão como fonte de conhecimento, em contraste com outras correntes que valorizam a experiência sensorial (como o empirismo). Os racionalistas acreditam que a razão humana pode, por meio de processos lógicos e dedutivos, alcançar verdades fundamentais sobre o mundo, a existência e a natureza da realidade.

1. Contexto Histórico

O racionalismo moderno emergiu em um contexto marcado pelas mudanças científicas e intelectuais do início da Idade Moderna, como o Renascimento e a Revolução Científica. Esse período foi caracterizado por uma ruptura com o pensamento medieval, que era amplamente dominado pela teologia e pela filosofia escolástica. A revolução científica, com figuras como Copérnico, Galileu e Kepler, colocou a observação e o método científico no centro do conhecimento, mas muitos filósofos, como os racionalistas, argumentaram que o verdadeiro conhecimento não provém apenas dos sentidos, mas de princípios racionais universais.

2. Principais Características do Racionalismo

O racionalismo moderno tem várias características fundamentais que o distinguem de outras correntes filosóficas:

3. Principais Filósofos Racionalistas

Os filósofos que mais influenciaram o racionalismo moderno são frequentemente agrupados sob o título de "racionalistas continentais", devido ao fato de que a maioria deles viveu na Europa continental, particularmente na França, Alemanha e Holanda. Entre eles, destacam-se René Descartes, Baruch Spinoza e Gottfried Wilhelm Leibniz.

a) René Descartes (1596–1650)

Considerado o fundador do racionalismo moderno, Descartes acreditava que a razão era o único caminho seguro para o conhecimento verdadeiro. Em sua obra Meditações Metafísicas (1641), ele propôs um método de dúvida radical, no qual questionava todas as suas crenças, exceto aquela que era absolutamente indubitável: sua própria existência como um ser pensante. Daí sua famosa máxima: "Cogito, ergo sum" ("Penso, logo existo").

Para Descartes, o conhecimento verdadeiro não poderia ser obtido por meio dos sentidos, que podem enganar, mas sim pela razão. Ele acreditava na existência de ideias inatas, como a ideia de Deus e as verdades matemáticas, que são acessíveis pela mente sem necessidade de experiência sensorial.

b) Baruch Spinoza (1632–1677)

Spinoza desenvolveu um sistema filosófico baseado na ideia de que tudo na realidade segue uma ordem racional e necessária. Sua obra mais importante, Ética (1677), é escrita de forma dedutiva, inspirada pelos Elementos de Euclides, um clássico da geometria. Spinoza propôs uma forma de monismo, em que Deus e a Natureza são uma só substância, ou seja, tudo o que existe é uma única realidade, que se manifesta de maneiras diferentes.

Para Spinoza, a razão é o único caminho para a verdadeira liberdade e felicidade, porque apenas por meio dela podemos compreender nossa relação com o mundo e viver de acordo com a ordem racional da Natureza. Ele rejeitava a ideia de um Deus pessoal e transcendental, promovendo em vez disso uma visão panteísta, em que Deus está presente em todas as coisas.

c) Gottfried Wilhelm Leibniz (1646–1716)