Uma das primeiras coisas que se deve fazer, uma vez decidida a criação de uma empresa, é a definição por escrito das principais variáveis do negócio. É isso que chamamos de Plano de Negócio.

A elaboração de um Plano de negócio é fundamental para o empreendedor, não somente para a busca de recursos, mas, principalmente, como forma de sistematizar suas ideias e planejar de forma mais eficiente, antes de entrar de cabeça em um mercado sempre competitivo. Ou seja, para montar uma empresa, antes de começar a colocar em prática os passos necessários para a sua legalização, é preciso que o futuro empresário tenha uma série de conhecimentos fundamentais, como: conhecer o ramo de atividade onde vai atuar, o mercado, fazer um planejamento do que vai ser colocado em prática na nova empresa, estabelecer os objetivos que se pretende atingir, entre outros.

O Plano de Negócios será o documento que o orientará na estruturação do seu negócio, constituindo também um instrumento fundamental para a negociação com parceiros e investidores.

O Plano de Negócios do empreendimento equivale, portanto, a um projeto da empresa, no qual cada uma das questões sobre o negócio deve ser esmiuçada, compreendida e dominada, para que o empreendedor seja hábil o suficiente para tomar decisões corretas como empresário. Além da importância para a apresentação do projeto a terceiros, o Plano de Negócios será para o empreendedor um instrumento de trabalho fundamental, ao agregar e sistematizar toda a informação prática para a concretização e condução do projeto.

Muitos empreendedores fracassam por não terem feito com a devida atenção esta lição de casa. Para isso, é preciso fazer um levantamento de dados e informações em uma série de órgãos e entidades (IBGE, sindicatos, associações, Sebrae, cooperativas, empresas já estabelecidas, etc.), para saber como se encontra este mercado, quanto o futuro empresário terá que vender por mês para não vir a fracassar; quanto poderá retirar por mês de pró-labore, sem prejudicar o bom funcionamento da empresa; quais os impostos a pagar e suas alíquotas e quanto guardar de recursos financeiros para fazer frente aos compromissos nos primeiros meses. Enfim, é preciso fazer o planejamento financeiro e da estrutura da nova empresa.

Existem muitas atividades a ser exploradas, mas é preciso ficar atento a uma série de fatores que influenciam e limitam a escolha do seu ramo de negócio. Para se abrir uma empresa, deve-se levar em conta que o sucesso de qualquer negócio depende, sobretudo, de um bom planejamento.

Embora qualquer negócio ofereça riscos, é preciso prevenir-se contra eles. Numa visão mais ampliada, o plano de negócio tem as seguintes funções:

1- Avaliar o novo empreendimento do ponto de vista mercadológico, técnico, financeiro, juridico e organizacional;

2- Avaliar a evolução do empreendimento ao longo de sua implantação: para cada um dos aspectos definidos no plano de negócio, o empreendedor poderá comparar o previsto com o realizado,

3- Facilitar, ao empreendedor, a obtenção de capital de terceiros quando o seu capital próprio não é suficiente para cobrir os investimentos iniciais.

Análise dos riscos

O conhecimento de alguns aspectos da vida das empresas deve permitir a avaliação do grau de atratividade do empreendimento, subsidiando a decisão do futuro empresário na escolha do negócio que pretende desenvolver. Basicamente, os riscos do negócio referem-se a:

1- Sazonalidade - se caracteriza pelo aumento ou redução significativos da demanda pelo produto em determinada época do ano. Os negócios com maior sazonalidade são perigosos e oferecem riscos que obrigam os empreendedores a manobras precisas. Quando em alto grau, é considerada fator negativo na avaliação do negócio:

2- Efeitos da economia. A análise da situação econômica é questão importante para a avaliação da oportunidade de negócio, já que alguns deles são gravemente afetados, por exemplo, por economias em recessão;

3- Controles governamentais. Setores submetidos a rigorosos controles do governo, nos quais as regras podem mudar com frequência, oferecem grande grau de risco e são pouco atraentes para pequenos investidores;

4- Existência de monopólios - alguns empreendimentos podem enfrentar problemas por atuar em áreas em que haja monopólios formados por "megaorganizações", que dominam o mercado, definindo as regras do jogo comercial. No Brasil, a comercialização de pneus, produtos químicos em geral e tintas são exemplos típicos de segmentos fortemente monopolizados;

5- Setores em estagnação ou retração - nestes setores, há uma procura menor que a oferta de bens/serviços, o que torna a disputa mais acirrada. Nas épocas de expansão e prosperidade de negócios, ao contrário, novos consumidores entram no mercado, promovendo a abertura de novas empresas;

6- Barreiras de entrada - referem-se a obstáculos relacionados com: exigência de muito capital para o investimento, alto e complexo conhecimento técnico, dificuldades para obtenção de matéria-prima, exigência de licenças especiais, existência de contratos, patentes e marcas que dificultam a legalização da empresa, dentre outros.