A natureza do conhecimento é um tema central da epistemologia, o ramo da filosofia que estuda o saber. De maneira geral, o conhecimento é compreendido como a capacidade de entender, interpretar e aplicar informações sobre o mundo. O estudo de sua natureza envolve investigar questões como a definição do conhecimento, suas fontes, sua estrutura e suas limitações.
Uma definição tradicionalmente aceita de conhecimento é a crença verdadeira justificada (ou justified true belief, em inglês). De acordo com essa visão, para que alguém saiba algo, três condições devem ser satisfeitas:
Porém, desafios como o problema de Gettier, que mostra situações onde crenças verdadeiras justificadas ainda podem não ser consideradas conhecimento, complicam essa definição tradicional. Esses desafios suscitam debates sobre o que, de fato, constitui o conhecimento.
Outra questão fundamental diz respeito às fontes pelas quais o conhecimento pode ser adquirido. As duas principais correntes filosóficas sobre esse tema são o racionalismo e o empirismo:
Uma abordagem mais recente é o construtivismo, que sugere que o conhecimento é uma construção ativa do sujeito em interação com o ambiente, combinando tanto experiências sensoriais quanto processos mentais.
O conhecimento pode ser organizado de diferentes maneiras. Alguns pensadores, como René Descartes, defenderam uma estrutura hierárquica, onde algumas crenças fundamentais servem de base para outras crenças derivadas. Isso é conhecido como fundacionalismo. Outras abordagens, como o coerentismo, sugerem que o conhecimento é uma rede de crenças interconectadas, onde a justificativa de cada crença depende de sua coerência com o restante do sistema de crenças.
Também há debates sobre os limites do conhecimento. Ceticismo é a posição filosófica que questiona se é possível ter conhecimento seguro sobre qualquer coisa. Os céticos radicais argumentam que não podemos ter certeza sobre a verdade de nossas crenças, enquanto os céticos moderados levantam dúvidas sobre certos tipos específicos de conhecimento, como o metafísico ou o religioso.
Por outro lado, o falibilismo é uma posição que aceita que podemos ter conhecimento, mesmo que ele seja sempre suscetível ao erro ou revisão. De acordo com o falibilismo, o conhecimento nunca é absolutamente certo, mas pode ser justificado o suficiente para ser considerado válido até que provas em contrário sejam apresentadas.