A Filosofia Antiga é o período inicial da filosofia ocidental, que se desenvolveu principalmente na Grécia Antiga entre os séculos VI a.C. e VI d.C. Este período marca o surgimento das primeiras reflexões racionais e sistemáticas sobre a natureza do mundo, da realidade, do conhecimento e da ética. Filósofos antigos, como Sócrates, Platão, Aristóteles, e os pré-socráticos, criaram as bases do pensamento filosófico ocidental, cujas influências se estenderam por milênios e ainda são presentes na filosofia contemporânea.
A filosofia antiga teve seu início com os pré-socráticos, um grupo de pensadores que antecederam Sócrates e que foram responsáveis por romper com as explicações míticas sobre o mundo, inaugurando um pensamento racional e investigativo. Entre eles, destacam-se Tales de Mileto, considerado o primeiro filósofo, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito, Parmênides e Pitágoras. Esses pensadores estavam preocupados principalmente com questões cosmológicas, buscando entender a origem e a substância fundamental do universo, conhecida como o "princípio" ou arché.
Tales de Mileto, por exemplo, propôs que a água era o princípio fundamental de todas as coisas, enquanto Anaxímenes acreditava que o ar era a substância primordial. Heráclito, famoso por sua afirmação de que "tudo flui", defendia a ideia de que o devir e a mudança eram as características essenciais da realidade. Já Parmênides ofereceu uma visão oposta, afirmando que a mudança era uma ilusão e que a verdadeira realidade era imutável e eterna.
A contribuição dos pré-socráticos foi crucial para o desenvolvimento da filosofia, pois estabeleceram o campo de investigação filosófica como uma busca racional por explicações naturais, e não mais baseadas nos mitos e nas narrativas teogônicas dos poetas.
Sócrates, que viveu em Atenas no século V a.C., é uma figura central na filosofia antiga. Embora não tenha deixado escritos, sua vida e ensinamentos foram preservados principalmente através de Platão, seu discípulo. Sócrates inaugurou uma nova fase da filosofia ao deslocar o foco das questões cosmológicas e naturais para a investigação ética e moral, buscando compreender a virtude, a justiça, a sabedoria e o significado da vida boa.
O método socrático, ou dialética, consistia em um processo de questionamento contínuo, através do qual ele desafiava as crenças estabelecidas de seus interlocutores, levando-os a refletir sobre suas convicções e a buscar definições mais precisas dos conceitos morais. Sócrates acreditava que a ignorância era a fonte de todos os males e que o autoconhecimento era o caminho para a virtude. Sua famosa máxima "Só sei que nada sei" reflete sua postura crítica e seu compromisso com a busca incessante pelo conhecimento.
A contribuição de Sócrates foi revolucionária, pois ele estabeleceu a ética como um campo central da filosofia, colocando a questão da virtude e da vida moral no coração da reflexão filosófica. Sua condenação à morte em 399 a.C., acusado de corromper a juventude de Atenas e de impiedade, consolidou sua figura como um mártir da filosofia e da liberdade de pensamento.
Platão, discípulo de Sócrates, é um dos maiores filósofos da Antiguidade e suas obras, especialmente os diálogos, moldaram grande parte do pensamento filosófico ocidental. Platão desenvolveu uma teoria do conhecimento, da realidade e da ética profundamente influenciada por seu mestre Sócrates, mas também trouxe suas próprias contribuições inovadoras.
A teoria mais famosa de Platão é a Teoria das Ideias ou Teoria das Formas, segundo a qual existe um mundo de realidades eternas e imutáveis (as ideias) que transcende o mundo físico e sensível. Para Platão, o mundo que percebemos pelos sentidos é apenas uma cópia imperfeita do mundo das ideias. Por exemplo, todas as árvores que vemos no mundo sensível são representações imperfeitas da ideia de "árvore" que existe no mundo inteligível.
Platão também formulou uma teoria do conhecimento, conhecida como epistemologia, em que o verdadeiro conhecimento não pode ser obtido pelos sentidos, mas apenas pela razão, através da reminiscência das ideias. Para Platão, a alma humana, antes de nascer, contempla o mundo das ideias, e todo aprendizado é, na verdade, uma recordação dessas ideias.
Além de suas contribuições metafísicas e epistemológicas, Platão desenvolveu uma filosofia política em sua obra A República, onde defende a ideia de uma sociedade ideal governada por filósofos-reis, aqueles que teriam conhecimento do bem e da justiça em seu sentido mais elevado.
Aristóteles, discípulo de Platão, divergiu de seu mestre em muitos pontos e é considerado um dos maiores sistematizadores da filosofia antiga. Ao contrário de Platão, que defendia a existência de um mundo das ideias separado do mundo sensível, Aristóteles acreditava que o conhecimento verdadeiro podia ser obtido a partir da observação do mundo físico.
Aristóteles foi pioneiro no desenvolvimento da lógica como uma disciplina formal, e suas obras sobre a metafísica, ética, política e ciências naturais tiveram uma influência profunda em todo o pensamento ocidental subsequente. Em sua metafísica, Aristóteles concebe o mundo em termos de substâncias formadas por matéria e forma, e desenvolve a ideia de que todas as coisas no universo possuem uma causa final ou propósito (teleologia).
Na ética, Aristóteles defende a ideia de que a virtude reside no meio-termo, ou seja, em uma posição equilibrada entre os extremos de excessos e faltas. Sua obra Ética a Nicômaco é uma das grandes referências da ética ocidental, propondo que a felicidade (ou eudaimonia) é o objetivo final da vida humana, e que esta felicidade é alcançada através da prática das virtudes.